
É impossível esquecer a alegria e o brilho nos olhos do meu sobrinho enquanto me contava que havia ganhado o seu Playstation. Sua euforia era tamanha, me impedindo de cumprimentar meus pais e me arrastando para o quarto, onde se encontrava sua jóia rara. Fiquei impressionado em ver como ele se saía com aquele pequeno aparelho e todas as informações em inglês, inclusive as informações dos jogos na tela. Passamos a tarde juntos, o que foi maravilhoso, já que tenho muito pouco tempo livre e é difícil conciliar com seus horários.
Durante esse período, algumas coisas me chamaram a atenção. Em primeiro lugar, como os jogos de guerra e violência são os preferidos, enquanto os de esportes, para minha decepção, não chamavam a atenção, como uma criança de 8 anos de idade podia dominar aquele universo, conhecer as armas pelo nome, como adquiri-las, e a satisfação em matar e destruir, visto que trata-se de uma criança criada em um ambiente familiar, tranqüilo e longe de toda essa violência que nos cerca. Passado esse choque inicial, com o olhar de um educador físico, passei a observar os seus movimentos e pude constatar algo muito interessante, o polegar que nos primórdios dos tempos era coadjuvante nas ações, auxiliando a segurar e agarrar objetos, agora se tornava protagonista nas brincadeiras, além de algumas necessidades básicas do ser humano moderno, tais como: acionar os controles remotos e digitar os números nos celulares.
Minha dúvida é de como isso irá influenciar no desenvolvimento do esquema corporal nossas crianças, e quais serão as conseqüências dessas mudanças?
Não sou contra ao Playstation, mas sinto falta das brincadeiras tradicionais, dos piques, dos jogos com bolas e brinquedos improvisados, do jogo simbólico e do jogo de regras, importantíssimo na formação desse ser social, da exposição dessas crianças ao movimento, tão importante em nossas vidas quanto a alimentação, o sono e até a respiração.
Tenho a certeza de que ao ler esse pequeno e nostálgico relato, você também resgatou na memória alguns jogos e brincadeiras, convide seu filho e mostre pra ele como você se divertia na infância, até porque, “não existe nada mais sério do que uma criança brincando”.
Marcelo Braz